Gaudium news > “Rezem pela Venezuela”

“Rezem pela Venezuela”

O Pe. Georges Engel, sacerdote fidei donum e missionário na Venezuela, reflete sobre os momentos de tensão vividos no país após a remoção de Nicolás Maduro em uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos. Atualmente, o missionário está na Espanha.

Foto: Screenshot/ facebook

Foto: Screenshot/ facebook

Redação (03/01/2026 15:06, Gaudium Press) “Rezem pela Venezuela”, apela o Pe. Engel, ansioso para voltar quanto antes ao seu país de missão. Desde novembro, os voos da Europa estão suspensos após o envio de uma frota militar americana ao Mar do Caribe.

Contatado em Madri, onde permanece retido desde novembro passado — quando planejava retornar à Venezuela —, o Pe. Georges Engel expressa suas preocupações diante dos ataques aéreos realizados pelos EUA e da captura do presidente Nicolás Maduro. O presidente americano Donald Trump informou que o líder deposto estava, na tarde de sábado, a bordo de uma embarcação militar dos EUA rumo a Nova York, onde será julgado junto com a esposa por acusações de “narcoterrorismo”.

“Até pouco tempo, muitas pessoas que conheço na Venezuela, com quem mantenho contato diário, suspeitavam que algo estava para acontecer”, relata o sacerdote, que passou cerca de 20 anos como missionário no país e foi pároco da paróquia Nossa Senhora da Assunção, em Caracas. “No entanto, elas não viviam em angústia excessiva”, acrescenta, “pois recebiam poucas informações confiáveis, devido à falta de imprensa livre e à censura nas principais redes sociais. Aqueles que, por outros canais, tinham acesso a notícias — especialmente por meio de contatos nos EUA ou na Europa —, aguardavam esse momento com certa expectativa”, completa.

Embora a ação americana, que veio após meses de ameaças de Washington, tenha sido recebida com entusiasmo por muitos venezuelanos no exílio, ela gerou fortes críticas na comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, manifestou preocupação com o possível desrespeito ao direito internacional, alertando para um “precedente perigoso”. Países como França e Itália reforçaram que mudanças de regime não devem ser impostas de fora. Já a Espanha ofereceu mediação para o diálogo.

O risco de confrontos violentos

Em um país marcado pela pobreza extrema e pela profunda polarização política, o Pe. Engel teme uma escalada de violência agora que o governo anterior está enfraquecido. “Nessas circunstâncias complicadas, é possível surgirem conflitos com grupos que até agora se beneficiaram de privilégios do regime, especialmente as brigadas revolucionárias criadas pelo ex-presidente Chávez. Esses grupos terão dificuldade em aceitar as transformações inevitáveis em sua realidade.”

Embora as forças armadas controlem o território e os recursos nacionais, o que mais preocupa o sacerdote são os collectivos (grupos armados que se autodenominam defensores da revolução bolivariana). Inspirados na revolução cubana, esses grupos armados atuam como braço do regime nos bairros populares, subordinados diretamente ao ministro do Interior, Diosdado Cabello. “Eles são defensores radicais da revolução bolivariana e exercem controle absoluto nas comunidades”, explica o Pe. Engel. Poucas horas após a captura de Maduro pelas forças americanas, essas gangues motorizadas organizaram uma manifestação no centro de Caracas, próxima ao palácio presidencial.

O papel futuro da Igreja Católica

Diante de um futuro incerto para a nação, o Pe. Engel destaca a contribuição que a Igreja pode oferecer nessa nova fase. “A Igreja Católica no Venezuela sempre esteve ao lado dos mais humildes e necessitados”, recorda, “e sua presença continua essencial em um país há tanto tempo afetado pelo narcotráfico e pela corrupção.” Para esse sacerdote, a Igreja local é chamada a “proclamar e a misericórdia divina com maior vigor e força o perdão”.

“Em um contexto que certamente será economicamente difícil para os venezuelanos, a Igreja precisará intensificar sua assistência aos pobres, aos doentes e às crianças”, prossegue o Pe. Engel. “Ela sempre fez isso e continuará a fazer.”

Em novembro passado, o Papa Leão XIV instou os Estados Unidos e a Venezuela a dialogarem e a acalmarem a tensão.

Com informações Vatican News

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas