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Haiti: a violência continua com o brutal assassinato de duas religiosas

Duas religiosas da Congregação das Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus, foram brutalmente assassinadas por gangues armadas em Mirebalais, cerca de cinquenta quilômetros a nordeste da capital do Haiti, Porto Príncipe.

Congrégation des Petites Sœurs de Sainte Thérèse de l’Enfant Jésus, en Haïti

Congrégation des Petites Sœurs de Sainte Thérèse de l’Enfant Jésus, en Haïti

Redação (03/04/2025 15:15, Gaudium Press) Na segunda-feira passada, a cidade de Mirebalais foi atacada pela organização criminosa Viv Ansanm. A violência também se espalhou para assaltos a comércios, delegacias de polícia e até uma prisão, da qual aparentemente mais de 500 detentos fugiram.

As duas religiosas, Irmã Evanette Onezaire e Irmã Jeanne Voltaire, estavam em missão na cidade de Mirebalais. Devido aos ataques de gangues armados, tiveram que se abrigar com outras pessoas em uma casa. Lamentavelmente, os invasores localizaram o esconderijo e executaram todo o grupo.

A triste notícia foi confirmada pelo arcebispo de Porto Príncipe e presidente da Conferência Episcopal Haitiana, Max Leroy Mésidor. “É uma perda imensa para a comunidade. Essas vítimas eram modelos para o desenvolvimento”.

Em declarações exclusivas à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), Dom Mésidor explica que a situação no país se agravou e que a terrível crise provocada pelo recrudescimento da violência das gangues está afetando radicalmente a presença da Igreja na capital.

“Vinte e oito paróquias da arquidiocese de Porto Príncipe estão fechadas, enquanto cerca de quarenta estão funcionando a um ritmo reduzido devido ao controle das gangues em seus bairros. Os sacerdotes foram obrigados a fugir, buscando refúgio junto de suas famílias ou de outros membros do clero. Precisam de ajuda. A arquidiocese também está em dificuldades”, explica o arcebispo. “Aqui no Haiti, a nossa Quaresma é verdadeiramente uma provação, mas oferecemo-la em comunhão com os sofrimentos de Cristo. O Haiti está em chamas e precisa urgentemente de ajuda, quem virá ajudar-nos?”, pergunta dolorosamente.

Numa carta aos religiosos e religiosas da arquidiocese, datada de 30 de março, Dom Mésidor, enquanto arcebispo de Porto Príncipe, descreveu a gravidade da crise que está sendo vivida em sua diocese. “Estamos vivendo um dos piores momentos da nossa história como povo. Para não colocar sal na ferida, abstenho-me de enumerar tudo o que estão sofrendo devido à insegurança generalizada que afeta nossos compatriotas há vários anos. No entanto, não posso deixar de lembrar alguns acontecimentos das últimas duas semanas: as comunidades religiosas foram deslocadas, muitas de suas escolas foram fechadas, as irmãs idosas e doentes tiveram que ser evacuadas no meio da noite e as congregações tiveram que abandonar seus lares de idosos sem lugar para acolher as irmãs doentes.”

A mensagem continua: “A lista de congregações religiosas em dificuldades é longa. Não tenho palavras para descrever o que está acontecendo atualmente em Porto Príncipe. É uma realidade incrível. Os nossos irmãos e irmãs consagrados fazem parte ativa do sofrimento do nosso povo”, disse o prelado na carta.

Marco Mencaglia, diretor de projetos da AIS, expressou a sua profunda consternação pela morte das duas religiosas e pela crescente violência no Haiti, que atingiu níveis alarmantes e afeta seriamente a Igreja local. “A situação exige respostas concretas e solidariedade. A Igreja no Haiti está sofrendo, mas não está perdendo a fé”.

A situação em Mirebalais continua crítica. O delegado departamental do governo na área, Frédérique Occéan, relatou que os cadáveres em decomposição estão espalhados pelas ruas, provocando mau cheiro. As autoridades municipais estão ausentes e muitos moradores fugiram da cidade.

Com informações Fundação AIS

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