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Chá de cúrcuma com hibisco

A propaganda é um mecanismo que leva as pessoas a comprarem o que não precisam com um dinheiro que não têm, cuja solução se encontra na abertura de crediário ou uso do cartão de crédito. Muitos enriqueceram como agentes publicitários, elemento essencial para a propagação de produtos e ideias, o que hoje é feito de graça por pessoas sem qualificação para isso.

Foto: Osha Key/ Unsplash

Foto: Osha Key/ Unsplash

 Redação (25/03/2025 15:40, Gaudium Press) O ser humano precisa de muito pouco para viver. No entanto, com o passar do tempo, novas “necessidades” foram criadas. Aumentou-se o conforto e o prazer, mas, em contrapartida, desenvolveu-se o egoísmo, a ganância, a inveja e o apego desmedido aos bens materiais.

Longe de mim ser contra o conforto e a comodidade que a tecnologia nos proporciona. O que me causa admiração é a rapidez com que os aparelhos eletrônicos são trocados, quase sempre quando ainda estão funcionando muito bem, pois sempre há lançamentos de novos modelos, com designs mais avançados e mais alternativas de cores. O resultado que produzem é o mesmo, mas as novas opções “humilham” os eletrodomésticos de casa, que parecem não servir mais e não darem conta de exercer a função para a qual foram feitos.

Presos numa ratoeira

O que está mais sujeito a essa “atualização” é o celular – já fui corrigido que não se deve falar celular, e sim smartphone, pois a diferença entre as duas expressões é que o smartphone teria mais funcionalidades e recursos que o celular.

Esse pequeno, utilíssimo e viciante aparelho é algo que mal se usava vinte anos atrás, e ninguém morreu ou deixou de se comunicar por isso. Na verdade, nos comunicávamos até mais, porque nossos amigos eram reais e não virtuais e inacessíveis.

Bem, basta que se lance um modelo novo e se inicia a corrida para adquiri-lo – algo que acontece com regular frequência, geralmente sem grandes mudanças práticas nos aparelhos, que são, porém, cada vez mais caros.

Entre os mais jovens, isso parece um caso de vida ou morte e, muitas vezes, chega a ser caso de morte mesmo, porque grande parte dos furtos e assaltos à mão armada –muitos com vítima fatal – acontece por causa do tal celular.

O que nos levou a tudo isso, a acreditar e sofrer por necessidades que não temos, foi a publicidade, a propaganda.

E, a partir do momento que temos um celular na mão, estamos sujeitos a comprar qualquer coisa que alguém decida vender, desde objetos palpáveis até coisas imateriais, como treinamentos e cursos on-line, muitos deles, cursos para nos ensinar a vender cursos… Estamos presos numa ratoeira.

Agentes da Revolução

Antes, quem nadava de braçada neste mar eram os agentes publicitários e os “contatos” – vendedores de propagandas e anúncios, que faziam o meio de campo entre o anunciante e o veículo de comunicação escolhido para a divulgação, com vistas a conquistar os potenciais clientes.

Hoje, esta função está nas mãos dos influenciadores digitais, que também conseguem ganhar muito dinheiro levando as pessoas a comprarem coisas, fazerem misturinhas caseiras para limpeza; testarem novas receitas; cantarem determinadas músicas; aderirem ao veganismo; fazerem jejum intermitente; dieta cetogênica; dieta do mediterrâneo; cuidarem de seus “filhos” pets; desenvolverem a espiritualidade; fazerem cursos de Filosofia Estoica (mesmo que nunca tenham ouvido falar sobre isso); reconhecerem relacionamentos tóxicos e pessoas narcisistas (pelo tanto que se repete esta palavra, deve estar havendo uma epidemia de narcisismo); abandonarem a fé; mudarem de sexo; aprenderem a fazer chá de cúrcuma com hibisco e suco detox de inhame, berinjela, couve e maçã para desinflamar o corpo, e a perderem vultosas somas em joguinhos virtuais.

Há coisas boas na internet? Sim, há. Sem dúvida tem muita gente bem-intencionada, levando conhecimentos sérios, promovendo boas discussões, evangelizando e alertando sobre os riscos da rede. Mas, infelizmente, tudo leva a crer que há mais coisas ruins do que coisas boas e, a continuar como vai, a tendência é piorar.

A questão é que um número cada vez maior de pessoas tem assumido o papel de divulgadores, espalhando notícias verdadeiras e fake news, tomando partido em situações que nem conhecem e promovendo a violência gratuitamente. Sem se darem conta, agem como marionetes e se tornam agentes da Revolução. Pior, de uma Revolução que nem acreditam que existe!

Pessoas defendem ideologias que não são delas

Esbarramos num patamar onde tentam nos convencer de que não existe certo e errado, bem e mal, homem e mulher, moral e imoral, honesto e desonesto, demônio e Deus. Vivemos mergulhados em uma grande sopa que agrega todo tipo de legumes e condimentos. Vemos pessoas defendendo ideologias que não são delas, religiões às quais não pertencem e temas que desconhecem, apenas porque essa é a “lei da rede”.

E aqueles que ainda ousam pensar por si mesmos e até chamar outros à razão são simplesmente cancelados, caluniados e se tornam vítimas da violência verbal e do abuso psicológico que grassam por aí. Ninguém parece se preocupar com a reputação do outro ou a sua própria.

Quando vemos uma mãe de família usando uma calça rasgada, com a pele tatuada, defendendo o direito ao aborto e ideologias intrusivas, nos perguntamos: quem é essa mulher? Como ela era 15, 20 anos atrás, quando se casou, formou o seu lar, teve os seus filhos? O que a levou a mudar dessa maneira? Qual foi o poder que introjetou nela esses “valores” que ela agora defende e que, muito claramente, não são seus? São coisas para se pensar…

Por que tanto, se precisamos de tão pouco?

E não se trata aqui de criticar A, B ou C. Cada grupo que levanta uma bandeira justifica os motivos pelos quais faz isso, e igualmente os que aderem a movimentos que acreditam que os representem.

O que não encaixa nessa equação é a maciça adesão de pessoas que mudam seu linguajar, seu modo de vestir e seu comportamento de acordo com as ondas da maré, mesmo estando em terra firme e a centenas de milhas do mar.

Será que as pessoas ainda se reconhecem? Cada um ainda é capaz de responder quais são os seus valores, no que acredita, qual é o seu papel na vida?

Assim como sempre existiu um número infinitamente maior de consumidores do que de publicitários, também existe um número exponencialmente maior de seguidores do que de influenciadores.

Por que precisamos tanto que alguém nos diga o que comprar, aonde ir, no que acreditar, o que vestir, o que comer, o que pensar e que ideologia seguir?

Todas essas coisas mostram a nossa fragilidade, o quanto somos manipuláveis e o quanto nos afundamos na idolatria e nos afastamos d’Aquele que morreu numa Cruz para nos salvar, conhecedor de todas as nossas misérias e pecados que poderíamos vir a cometer.

Resta saber até onde Ele nos deixará ir, porque, do jeito que está, é difícil imaginar que ainda haja muito para piorar. Que ao menos tenhamos lucidez suficiente para rogar: “Misericórdia! Vinde, Senhor Jesus!”

 Por Afonso Pessoa

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