"É belo que vocês estejam aqui hoje: é um dom para a Igreja”, comenta o Papa aos idosos
Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 29-09-2014, Gaudium Press) O encontro do Santo Padre com os demais anciões vindos de diversas partes do mundo reuniu mais de 50 mil pessoas na manhã deste domingo, dia 28 de setembro, no Vaticano.
| Santo Padre preside Missa dedicada aos anciãos no Vaticano | Foto: Rádio Vaticano |
Nesta ocasião, o Papa Emérito Bento XVI, a convite de Francisco, participou do encontro até a primeira parte, retirando-se antes do começo da Celebração Eucarística.
“Agradeço a vocês por terem vindo tão numerosos”, disse o Papa, logo no início, referindo-se posteriormente a Bento XVI dizendo: “várias vezes disse que gostava muito do fato de ele morar no Vaticano, porque é como ter um avô sábio em casa”.
Depois, o Pontífice comentou a respeito dos testemunhos dos irmãos oriundos de Qaraqosh, no Iraque, vítimas de perseguição no país.
“É belo que vocês estejam aqui hoje: é um dom para a Igreja. Oferecemos-lhes nossa proximidade, nossa oração e ajuda concreta. A violência sobre os anciãos é desumana, como a violência sobre as crianças. Mas Deus não os abandona, está com vocês!”, afirmou.
De acordo com o Papa, a velhice deve ser considerada um tempo de graça, onde o Senhor nos renova seu chamado, chamando-nos a custodiar e transmitir a Fé, a rezar e especialmente a interceder para os que necessitam.
O Santo Padre acredita que foi confiada aos avós a missão de receber a benção de ver os filhos de seus descendentes, pois “transmitir a experiência da vida, a história de uma família, de uma comunidade, de um povo”, assim como “partilhar com simplicidade uma sabedoria, e a própria Fé” é vista como “a herança mais preciosa”.
“Bem-aventuradas aquelas famílias que têm um avô próximo. O avô é pai duas vezes e a avó é mãe duas vezes”, lembrou.
Contudo, Francisco alegou que nem sempre os anciãos possuem uma família que possa acolhê-los e ainda alertou: “Não devem existir institutos onde anciãos vivem esquecidos, como que escondidos, descuidados”.
Segundo o Papa, “as casas para anciãos deveriam ser ‘pulmões’ de humanidade em um país, bairro, paróquia”, sendo que “deveriam ser ‘santuários’ de humanidade onde quem é ancião e frágil recebe cuidados e proteção como um irmão ou uma irmã maior”.
“Nós cristãos, junto a todos os homens de boa vontade, somos chamados a construir com paciência uma sociedade diferente, mais acolhedora, mais humana, mais inclusiva, que não precisa de descartar quem é frágil no corpo e na mente, pelo contrário, uma sociedade que mede seus ‘passos’ justamente nessas pessoas”, acrescentou.
Finalizando, o Santo Padre declarou que “como cristãos e como cidadãos, somos chamados a imaginar, com fantasia e sabedoria, os caminhos para enfrentar esse desafio”.
Santa Missa dedicada aos idosos
A segunda parte da reunião do Papa com os anciãos contou com a celebração de uma Santa Missa, concelebrada por vários sacerdotes idosos.
Abordando a homilia do dia, que revela o encontro da Virgem Maria e sua prima anciã Isabel, o Pontífice ressaltou que “sem esse encontro entre as gerações, sem que os filhos recebam com reconhecimento o bastão da vida das mãos dos pais”, não há futuro.
| Francisco encontra-se com Papa Emérito Bento XVI | Foto: Rádio Vaticano |
“Maria soube ouvir aqueles pais anciãos e cheia de admiração fez tesouro da sabedoria deles, e isso foi precioso para ela, em seu caminho de mulher, de esposa, de mãe. Assim, a Virgem Maria nos mostra o caminho: o caminho do encontro entre os jovens e os anciãos. O futuro de um povo supõe necessariamente este encontro: os jovens dão a força para fazer caminhar o povo e os anciãos robustecem essa força com a memória e a sabedoria popular”, completou.
Prestes a concluir a celebração, o Papa Francisco realizou a oração mariana Angelus, relembrando a Beatificação de Dom Álvaro del Portillo, primeiro sucessor do fundador do Opus Dei, São José Maria Escrivá de Balaguer. (LMI)




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