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O Santo Sacrifício da Missa

A Missa é a renovação incruenta do sacrifício do Calvário, pelo qual se rende um culto a Deus de valor infinito e se obtém para os fiéis um bem preciosíssimo.

Foto: Cathopic/elvisfotos.

Redação (01/07/2022 15:53, Gaudium Press) Proponho fazer uma “peregrinação” – com a mente, não caminhando – pelas várias partes que compõem a Missa.

É necessário conhecer bem ou redescobrir o que é a Santa Missa. Ela segue um itinerário admirável que os fiéis deveriam conhecer melhor e acompanhar com mais atenção para que sua participação nele seja frutífera. Participação e não mera assistência ou presença passiva, porque se trata de um acontecimento ordenado à glória da Santíssima Trindade e em benefício dos remidos, especialmente daqueles que se reúnem para celebrá-la, ministros e fiéis.

Sabemos que a Missa é a renovação incruenta do sacrifício do Calvário, pelo qual se rende um culto a Deus de valor infinito e se obtém para os fiéis um bem preciosíssimo. Pode conceber-se estar indiferente, distraído ou impaciente na celebração de tal mistério? Às vezes, por falta de conhecimento ou por um desinteresse irresponsável, essas incongruências ocorrem.

Foto: Cathopic/Angie Menes.

O rito romano generalizado no Ocidente segue o seguinte caminho:

Os Ritos Iniciais preparam para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia.

Procissão de entrada: Chegamos ao templo e nos preparamos jubilosamente para celebrar o mistério central de nossa Fé. Saudação inicial: Depois de beijar o altar e fazer o sinal da cruz, o sacerdote saúda a assembleia reunida. Ato Penitencial: Pedimos humildemente perdão ao Senhor por nossas faltas. Glória: louvamos a Deus, reconhecendo sua santidade, e nossa contingência. Oração/Coleta: É a oração que o sacerdote, em nome de todos, faz ao Pai recolhendo as intenções da comunidade.

A Liturgia da Palavra. Deus, que se dá a nós como alimento em sua Palavra.

Primeira leitura: No Antigo Testamento, Deus nos fala através da história do povo de Israel e de seus profetas. Salmo: Meditamos ao impulso de um salmo inspirado. Segunda leitura: No Novo Testamento, Deus nos fala diretamente através dos Apóstolos. Evangelho: é proclamado o mistério redentor de Cristo. Homilia: O celebrante explica a Palavra de Deus, que não é teoria, mas vida transformadora. Credo: Confessamos nossa Fé. Oração dos Fiéis: Pedimos pelas necessidades mais urgentes.

Foto: Cathopic/Xavilupe.

Na Liturgia da Eucaristia chegamos ao coração da Missa

Apresentação dos dons: O pão de trigo e o vinho da videira que se transformarão no corpo e sangue de Cristo. Nossas intenções, vidas e desejos também são apresentados. Prefácio: Oração de ação de graças e louvor a Deus, três vezes santo. Epiclese: O celebrante estende suas mãos sobre as oferendas e invoca o Espírito Santo, para que por sua ação se opere a transubstanciação. Consagração: O pão e o vinho se transformam no Corpo e no Sangue de Jesus. Aclamação: Louvamos o mistério central da nossa Fé. Intercessão: Oferecemos o sacrifício em comunhão com toda a Igreja, pedindo pelo Papa, pelos bispos, pelos vivos e pelos defuntos. Doxologia: O sacerdote oferece ao Pai o Corpo e Sangue de Jesus na unidade do Espírito Santo dando à Trindade “toda honra e toda glória” ao que os fiéis respondem: “Amém”. Pai Nosso: Oramos ao Pai como Jesus nos ensinou. Comunhão: Os fiéis se aproximam para receber o Pão da Vida. Oração de ação de graças.

Os ritos finais são a Bênção, despedida e envio: nutridos com o pão da Palavra e da Eucaristia, retornamos às nossas atividades, dispostos a viver o que celebramos”.

Foto: Cathopic/catolitico.

Aqui está exposta em breves pinceladas uma abençoada peregrinação da qual se sai sempre enriquecido e para a qual se vai por necessidade e não por obrigação… que também é, o domingo, Dia do Senhor!

A celebração da Missa obedece a uma liturgia estabelecida que parte dos tempos apostólicos e chega até os nossos dias, semelhante em suas características essenciais, ainda que com importantes diferenças acidentais nos trinta ritos com que é celebrada nos dias hoje nos diversos países do Oriente e do Ocidente. A liturgia latina compreende o rito romano com suas variantes ambrosiana (Milão), moçárabe (Toledo), bracarense (Braga), carmelita, cartuxa e dominicana. Maravilhoso patrimônio espiritual, teológico e cultural!

Como se sabe, no início a Eucaristia era celebrada durante uma refeição, sendo o ágape o encontro solene por excelência nos costumes orientais; foi ao concluir uma Ceia Pascal que o Senhor instituiu o sacramento. Mas já a Didaché, obra da literatura cristã do primeiro século, ao referir-se à Eucaristia, não menciona que era celebrada durante um jantar. Por volta do ano 100, Santo Inácio de Antioquia nos fala sobre o caráter sacrificial da Eucaristia celebrada em um altar. E no século II, São Justino, em seu Discurso Eucarístico, expõe a sequência da celebração como sendo fora de uma refeição. Em harmonia com o teor expiatório da Missa, a mesa doméstica deixou definitivamente lugar para o altar, próprio para oferecer sacrifícios.

Foto: Cathopic/Cielo Cardona.

Normas e rubricas que constam nos Livros Litúrgicos regem e tutelam a celebração da Missa. Ao sacerdote, a Igreja confia naquele que por sua vez recebeu. “A liturgia não pode ser tratada pelo celebrante e pela comunidade como propriedade privada” (Ecclesia de Eucharistia, n. 52).

Infelizmente, nesta matéria não é raro encontrar ambiguidades e fantasias que destroem o povo de Deus. Ignorar o valor da Missa ou desfigurá-la em sua celebração não é ninharia. “Uma única Missa glorifica mais a Deus do que toda a glória que lhe dão todos os santos no céu, incluindo a Santíssima Virgem, durante toda a eternidade”, escreveu o teólogo dominicano Frei Antonio Royo Marín; tal é o valor de uma Missa, de uma única Missa!

Algum ignorante ainda pretenderá cumprir a obrigação dominical assistindo à Missa pela televisão; isso faz parte do triste legado que a Covid deixou… que não quer nos deixar. Mas, claro, a Missa televisionada é um bom programa.

Mairiporã, Brasil, julho de 2022.

Por Padre Rafael Ibarguren EP – Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja.

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho.

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