Loading
 
 
 
Loading
 
Educação católica, educação de valores
Loading
 
9 de Setembro de 2019 / 0 Comentários
 
Imprimir
 
 

Redação (Segunda-feira, 09-09-2019, Gaudium Press) A educação, desde os filósofos gregos até o século XVIII, visava a formação do homem como um todo, procurando desenvolver suas habilidades e capacidades, explorando suas apetências, seguindo um currículo muito flexível, quase que adaptado a cada aluno.

Educação católica, educação de valores,Foto Arquuivo Gaudium Press.jpg

As aulas das universidades ocorriam com frequência em espaços públicos, com acesso a qualquer um.

Senso católico no aprendiz de padeiro

A respeito dessa informalidade, conta-se, até, na vida de São Clemente Maria Hofbauer um fato significativo.

Na sua juventude, sendo aprendiz de padeiro, sentou-se na praça em Viena, Áustria, para assistir a uma aula de famoso teólogo. Em determinado momento ele interrompeu a exposição observando:

"Mestre, não sei explicar por quê, mas o que o Sr. acaba de falar está errado!"

Indignado, o professor expulsa o jovem da aula.

Anos depois, encontrando-se com São Clemente, agora sacerdote, o mestre lhe agradece aquela intervenção, explicando que fora tirar a limpo e, realmente, estava ensinando algo equivocado.

Era o senso católico prevalecendo sobre a mera erudição.

Mestre, preceptor, curiosidade

Competia nessa época ao mestre ou preceptor atender às legítimas curiosidades e pontos vivos de interesse do discípulo, pois se compreendia que cada indivíduo é único e tem uma visão do universo personalíssima, originalíssima e riquíssima.

São Tomás de Aquino (século XIII) "introduz um princípio pedagógico moderno e revolucionário para seu tempo: o de que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor" (Revista Nova Escola, julho de 2008, p. 22, sem autor). Vê-se por aí que Piaget e o construtivismo não representaram nenhuma novidade pedagógica na História, como tantas vezes são apresentados.

Hoje fala-se de inter e transdisciplinaridade. Até na Revolução Francesa se ensinava assim...

O conhecimento era uno, coeso, formava um todo coerente, harmônico entre as partes, baseado na mesma concepção religiosa do universo.

Todos os conhecimentos se relacionavam entre si. Hoje fala-se que a criança deve aprender brincando ou que o aprendizado deve ser prazeroso.

Trtatado sobre o brincar...

Na pesquisa bibliográfica, pudemos constatar que São Tomás de Aquino já ensinava isso na Suma Teológica (II-II, q. 168, art. 2, 3 e 4), no século XIII, tendo inclusive escrito um Tratado sobre o brincar. E São João Bosco (século XIX) tinha como pedra fundamental de seu sistema preventivo na educação a "amorevolezza": a benquerença; a criança deveria ser benquista e sentir-se benquista pelo professor que, assim, conquistava a confiança do discípulo. Nos recreios salesianos havia uma só regra: é proibido estar triste.

Hoje dá-se muita importância aos laboratórios, às experiências (John Dewey, 1978); os antigos da Escola peripatética, de Aristóteles, a qual possuía uma orientação empírica, já procediam assim pelo ano 320 a.C. ...

Ou seja, as melhores tendências da pedagogia atual vão no sentido de restaurar o que a educação cristã vem fazendo há séculos. A chamada pedagogia "tradicional" - distinta da católica de que tratamos acima - é da idade moderna, fruto da Revolução Francesa. Um dos filósofos dessa escola foi Johann Friedrich Herbart (1776-1841), considerado o organizador da Pedagogia como ciência.

Restaurar o que a educação cristã faz a séculos

O conhecimento humano ficou compartimentado, fragmentado com o iluminismo e o racionalismo, gerando as incontáveis especializações estanques modernas.

Por se basear no princípio de que a mente humana apenas apreende novos conhecimentos e só participa do aprendizado passivamente, o herbartianismo resultou num ensino que hoje qualificamos de tradicional. "[...] um ensino totalmente receptivo, sem diálogo entre professor e aluno e com aulas que obedeciam a esquemas rígidos e preestabelecidos" (Revista Nova Escola, dezembro de 2004, p. 24, sem autor).

O sistema de ensino prevalente nas universidades medievais era baseado na intensa participação dos alunos através da "disputatio", o debate, que se seguia à apresentação de um tema, a "lectio", no qual cada um defendia sua opinião.

Nem o mais ousado sistema educacional hodierno chega a ser tão participativo como o medieval.


Por Padre Ricardo Basso, EP

 

 

Loading
Educação católica, educação de valores

Redação (Segunda-feira, 09-09-2019, Gaudium Press) A educação, desde os filósofos gregos até o século XVIII, visava a formação do homem como um todo, procurando desenvolver suas habilidades e capacidades, explorando suas apetências, seguindo um currículo muito flexível, quase que adaptado a cada aluno.

Educação católica, educação de valores,Foto Arquuivo Gaudium Press.jpg

As aulas das universidades ocorriam com frequência em espaços públicos, com acesso a qualquer um.

Senso católico no aprendiz de padeiro

A respeito dessa informalidade, conta-se, até, na vida de São Clemente Maria Hofbauer um fato significativo.

Na sua juventude, sendo aprendiz de padeiro, sentou-se na praça em Viena, Áustria, para assistir a uma aula de famoso teólogo. Em determinado momento ele interrompeu a exposição observando:

"Mestre, não sei explicar por quê, mas o que o Sr. acaba de falar está errado!"

Indignado, o professor expulsa o jovem da aula.

Anos depois, encontrando-se com São Clemente, agora sacerdote, o mestre lhe agradece aquela intervenção, explicando que fora tirar a limpo e, realmente, estava ensinando algo equivocado.

Era o senso católico prevalecendo sobre a mera erudição.

Mestre, preceptor, curiosidade

Competia nessa época ao mestre ou preceptor atender às legítimas curiosidades e pontos vivos de interesse do discípulo, pois se compreendia que cada indivíduo é único e tem uma visão do universo personalíssima, originalíssima e riquíssima.

São Tomás de Aquino (século XIII) "introduz um princípio pedagógico moderno e revolucionário para seu tempo: o de que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor" (Revista Nova Escola, julho de 2008, p. 22, sem autor). Vê-se por aí que Piaget e o construtivismo não representaram nenhuma novidade pedagógica na História, como tantas vezes são apresentados.

Hoje fala-se de inter e transdisciplinaridade. Até na Revolução Francesa se ensinava assim...

O conhecimento era uno, coeso, formava um todo coerente, harmônico entre as partes, baseado na mesma concepção religiosa do universo.

Todos os conhecimentos se relacionavam entre si. Hoje fala-se que a criança deve aprender brincando ou que o aprendizado deve ser prazeroso.

Trtatado sobre o brincar...

Na pesquisa bibliográfica, pudemos constatar que São Tomás de Aquino já ensinava isso na Suma Teológica (II-II, q. 168, art. 2, 3 e 4), no século XIII, tendo inclusive escrito um Tratado sobre o brincar. E São João Bosco (século XIX) tinha como pedra fundamental de seu sistema preventivo na educação a "amorevolezza": a benquerença; a criança deveria ser benquista e sentir-se benquista pelo professor que, assim, conquistava a confiança do discípulo. Nos recreios salesianos havia uma só regra: é proibido estar triste.

Hoje dá-se muita importância aos laboratórios, às experiências (John Dewey, 1978); os antigos da Escola peripatética, de Aristóteles, a qual possuía uma orientação empírica, já procediam assim pelo ano 320 a.C. ...

Ou seja, as melhores tendências da pedagogia atual vão no sentido de restaurar o que a educação cristã vem fazendo há séculos. A chamada pedagogia "tradicional" - distinta da católica de que tratamos acima - é da idade moderna, fruto da Revolução Francesa. Um dos filósofos dessa escola foi Johann Friedrich Herbart (1776-1841), considerado o organizador da Pedagogia como ciência.

Restaurar o que a educação cristã faz a séculos

O conhecimento humano ficou compartimentado, fragmentado com o iluminismo e o racionalismo, gerando as incontáveis especializações estanques modernas.

Por se basear no princípio de que a mente humana apenas apreende novos conhecimentos e só participa do aprendizado passivamente, o herbartianismo resultou num ensino que hoje qualificamos de tradicional. "[...] um ensino totalmente receptivo, sem diálogo entre professor e aluno e com aulas que obedeciam a esquemas rígidos e preestabelecidos" (Revista Nova Escola, dezembro de 2004, p. 24, sem autor).

O sistema de ensino prevalente nas universidades medievais era baseado na intensa participação dos alunos através da "disputatio", o debate, que se seguia à apresentação de um tema, a "lectio", no qual cada um defendia sua opinião.

Nem o mais ousado sistema educacional hodierno chega a ser tão participativo como o medieval.


Por Padre Ricardo Basso, EP

 

 

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://gaudiumpress.org/content/105013-Educacao-catolica--educacao-de-valores-. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

Deixe seu comentário
O seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados (*) são obrigatórios.



 
Loading
GaudiumRightPubli
Loading

O monumental presépio é um dos maiores de Andaluzia, ganhando ano após ano mais fama e presença. ...
 
O problema do sofrimento não está tanto no que o ocasiona, mas no modo como é suportado. Ele exis ...
 
Apesar de ser uma apresentação gratuita, os espectadores são convidados a doarem ao menos um quil ...
 
A neve nos fala da inocência sem mancha, da beleza virginal e pura que tem o condão de encantar os ...
 
Podemos correr o risco de fazer a festa sem a presença do festejado e o que Ele é e significa para ...
 
Loading


O que estão twitando sobre o

Loading


 
 

Loading

Loading