Loading
 
 
 
Loading
 
Um dom demasiadamente menosprezado
Loading
 
5 de Julho de 2019 / 0 Comentários
 
Imprimir
 
 

Redação (Sexta-feira, 05-07-2019, Gaudium Press) Se não existisse a Eucaristia quem seria capaz de imaginá-la?

Que pessoa extraordinariamente sábia, ou que altíssimo anjo de luz, um serafim, por exemplo, teria capacidade de idealizar essa originalidade única? Ninguém poderia conceber semelhante maravilha; nenhum santo, nenhum anjo. Somente o Sagrado Coração de Jesus pode criar e nos oferecer essa maravilha que é a Eucaristia!

Um dom demasiadamente menosprezado.jpg

Maravilha, em primeiro lugar, porque se trata de sua mesma presença, de sua Pessoa divina e gloriosa; já que na Eucaristia está Jesus ressuscitado, como se encontra a direita do Pai.

Maravilha também porque essa presença se reproduz em todos os lugares da terra onde haja uma hóstia sobre a qual se tenha pronunciado as palavras da instituição eucarística. Portanto, Deus está multiplicado em milhões e milhões de partículas e até em um sem fim de migalhas que possam eventualmente desprender-se das espécies consagradas: em cada porção do pão consagrado, por pequena que seja, está Jesus, inteiro, Deus e homem verdadeiro.

Maravilha ainda, porque ao operar-se a transubstanciação do pão e do vinho no curso da Missa, ao sacerdote que celebra e aos fiéis que participam, ainda que indignos, se aplica o tesouro dos méritos infinitos do sacrifício do Calvário.

Maravilha ainda, porque é a Eucaristia que edifica a Santa Igreja Católica, Corpo místico de Cristo e povo santo de Deus do qual fazemos parte; a Igreja vive da Eucaristia tendo-a por fonte, centro e cume.

Maravilha por fim, porque dispôs o Senhor que seu Corpo fosse recebido em alimento pelos fiéis na comunhão sacramental -"Quem come minha carne e bebe meu sangue terá a vida eterna" (Jo 6, 54)- propiciando assim uma forma de união insuperável entre o Criador e a criatura que chega à fusão e à mesma divinização da pessoa.

Se não existisse a Eucaristia, seria possível imaginá-la? Quem seria capaz?

A Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Sede da Sabedoria, seria ela capaz de supor algo tão sublime como o mistério eucarístico? É temerário pretender opinar sobre algo tão misterioso. Em todo caso, é uma pergunta que se pode fazer respeitosamente e meditar sobre o tema, até que a teologia -ou a mariologia- ofereça uma luz definitiva.

A mente humana não abarca plenamente o que é a Eucaristia, nem os benefícios enormes que proporciona. O tema excede a capacidade da razão, por mais lúcida ou penetrante que possa ser. Mas, apesar disso, o dever de acreditar nela e de adorá-la se impõem a todos.

Lastimosamente a centralidade da Eucaristia não está presente na generalidade dos batizados; não se pensa nela quase nunca... para não dizer, diretamente, nunca. A presença real de Jesus está ao alcance de qualquer fiel, às vezes à dois passos, esperando de dia e de noite uma visita de cortesia, ainda que seja uma rápida saudação, que fortaleça o vínculo da pessoa com Deus e, por sua vez, com os demais.

Foi em torno da Eucaristia que os primeiros cristãos se mantiveram unidos. O livro dos Atos dos Apóstolos nos diz que eles "Acudiam assiduamente aos ensinamentos dos Apóstolos, à convivência, à fração do Pão e às orações" (Atos, 2, 42). A Eucaristia os atraia e os unia. Assim deverá ser também até o fim do mundo, pois a Igreja, que vive da Eucaristia, é imortal. A Fé Apostólica, o compartilhar unidos, a celebração Eucarística e a oração congregarão aos fiéis até a segunda vinda do Senhor.

São João Paulo II constatou com tristeza desordens em torno do culto eucarístico. No número 10 de sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, após recomendar e estimular a adoração, lamenta com razão descuidos e desvios:

"Desgraçadamente, junto à estas luzes, não faltam sombras. Com efeito, há lugares onde se constata um abandono quase total do culto de adoração eucarística. A isto se acrescentam, em diversos contextos eclesiais, certos abusos que contribuem para obscurecer a reta Fé e a Doutrina Católica sobre este admirável Sacramento. Se nota às vezes uma compreensão muito limitada do Mistério Eucarístico. Privado de seu valor sacrificial, se vive como se não tivesse outro significado e valor que o de um encontro de convivência fraterna. Além disso, fica às vezes escurecida a necessidade do sacerdócio ministerial, que se funda na sucessão apostólica, e a sacramentalidade da Eucaristia se reduz unicamente à eficácia do anúncio. Também por isso, aqui e ali, surgem iniciativas ecumênicas que, ainda sendo generosas em sua intenção, transgridem com práticas eucarísticas contrárias à disciplina com a qual a Igreja expressa sua Fé. Como não manifestar profunda dor por tudo isso? A Eucaristia é um dom demasiadamente grande para admitir ambiguidades e reduções".

Ao ler esta grave reflexão não me sinto afetado em alguma medida? E se pessoalmente nesta matéria não tenho de que censurar-me, não vejo em torno de mim exemplos de abandono, de abusos, de ambiguidades ou de reduções? E se os vejo -em minha família, por exemplo, ou em minha paróquia- que faço para corrigi-los ou para reparar o prejuízo? Acaso não está em mim fazer algo, por pouco que seja?

A queixa do Papa Wojtila me interpela, a não ser como o avestruz que mete a cabeça debaixo da terra para não ver o perigo. Estas realidades saltam aos olhos, não deveriam ocorrer e clamam por deixar de ser!

A Eucaristia é um dom demasiadamente grande, sim, e demasiado menosprezado.

Por Padre Rafael Ibarguren EP - Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

Loading
Um dom demasiadamente menosprezado

Redação (Sexta-feira, 05-07-2019, Gaudium Press) Se não existisse a Eucaristia quem seria capaz de imaginá-la?

Que pessoa extraordinariamente sábia, ou que altíssimo anjo de luz, um serafim, por exemplo, teria capacidade de idealizar essa originalidade única? Ninguém poderia conceber semelhante maravilha; nenhum santo, nenhum anjo. Somente o Sagrado Coração de Jesus pode criar e nos oferecer essa maravilha que é a Eucaristia!

Um dom demasiadamente menosprezado.jpg

Maravilha, em primeiro lugar, porque se trata de sua mesma presença, de sua Pessoa divina e gloriosa; já que na Eucaristia está Jesus ressuscitado, como se encontra a direita do Pai.

Maravilha também porque essa presença se reproduz em todos os lugares da terra onde haja uma hóstia sobre a qual se tenha pronunciado as palavras da instituição eucarística. Portanto, Deus está multiplicado em milhões e milhões de partículas e até em um sem fim de migalhas que possam eventualmente desprender-se das espécies consagradas: em cada porção do pão consagrado, por pequena que seja, está Jesus, inteiro, Deus e homem verdadeiro.

Maravilha ainda, porque ao operar-se a transubstanciação do pão e do vinho no curso da Missa, ao sacerdote que celebra e aos fiéis que participam, ainda que indignos, se aplica o tesouro dos méritos infinitos do sacrifício do Calvário.

Maravilha ainda, porque é a Eucaristia que edifica a Santa Igreja Católica, Corpo místico de Cristo e povo santo de Deus do qual fazemos parte; a Igreja vive da Eucaristia tendo-a por fonte, centro e cume.

Maravilha por fim, porque dispôs o Senhor que seu Corpo fosse recebido em alimento pelos fiéis na comunhão sacramental -"Quem come minha carne e bebe meu sangue terá a vida eterna" (Jo 6, 54)- propiciando assim uma forma de união insuperável entre o Criador e a criatura que chega à fusão e à mesma divinização da pessoa.

Se não existisse a Eucaristia, seria possível imaginá-la? Quem seria capaz?

A Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Sede da Sabedoria, seria ela capaz de supor algo tão sublime como o mistério eucarístico? É temerário pretender opinar sobre algo tão misterioso. Em todo caso, é uma pergunta que se pode fazer respeitosamente e meditar sobre o tema, até que a teologia -ou a mariologia- ofereça uma luz definitiva.

A mente humana não abarca plenamente o que é a Eucaristia, nem os benefícios enormes que proporciona. O tema excede a capacidade da razão, por mais lúcida ou penetrante que possa ser. Mas, apesar disso, o dever de acreditar nela e de adorá-la se impõem a todos.

Lastimosamente a centralidade da Eucaristia não está presente na generalidade dos batizados; não se pensa nela quase nunca... para não dizer, diretamente, nunca. A presença real de Jesus está ao alcance de qualquer fiel, às vezes à dois passos, esperando de dia e de noite uma visita de cortesia, ainda que seja uma rápida saudação, que fortaleça o vínculo da pessoa com Deus e, por sua vez, com os demais.

Foi em torno da Eucaristia que os primeiros cristãos se mantiveram unidos. O livro dos Atos dos Apóstolos nos diz que eles "Acudiam assiduamente aos ensinamentos dos Apóstolos, à convivência, à fração do Pão e às orações" (Atos, 2, 42). A Eucaristia os atraia e os unia. Assim deverá ser também até o fim do mundo, pois a Igreja, que vive da Eucaristia, é imortal. A Fé Apostólica, o compartilhar unidos, a celebração Eucarística e a oração congregarão aos fiéis até a segunda vinda do Senhor.

São João Paulo II constatou com tristeza desordens em torno do culto eucarístico. No número 10 de sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, após recomendar e estimular a adoração, lamenta com razão descuidos e desvios:

"Desgraçadamente, junto à estas luzes, não faltam sombras. Com efeito, há lugares onde se constata um abandono quase total do culto de adoração eucarística. A isto se acrescentam, em diversos contextos eclesiais, certos abusos que contribuem para obscurecer a reta Fé e a Doutrina Católica sobre este admirável Sacramento. Se nota às vezes uma compreensão muito limitada do Mistério Eucarístico. Privado de seu valor sacrificial, se vive como se não tivesse outro significado e valor que o de um encontro de convivência fraterna. Além disso, fica às vezes escurecida a necessidade do sacerdócio ministerial, que se funda na sucessão apostólica, e a sacramentalidade da Eucaristia se reduz unicamente à eficácia do anúncio. Também por isso, aqui e ali, surgem iniciativas ecumênicas que, ainda sendo generosas em sua intenção, transgridem com práticas eucarísticas contrárias à disciplina com a qual a Igreja expressa sua Fé. Como não manifestar profunda dor por tudo isso? A Eucaristia é um dom demasiadamente grande para admitir ambiguidades e reduções".

Ao ler esta grave reflexão não me sinto afetado em alguma medida? E se pessoalmente nesta matéria não tenho de que censurar-me, não vejo em torno de mim exemplos de abandono, de abusos, de ambiguidades ou de reduções? E se os vejo -em minha família, por exemplo, ou em minha paróquia- que faço para corrigi-los ou para reparar o prejuízo? Acaso não está em mim fazer algo, por pouco que seja?

A queixa do Papa Wojtila me interpela, a não ser como o avestruz que mete a cabeça debaixo da terra para não ver o perigo. Estas realidades saltam aos olhos, não deveriam ocorrer e clamam por deixar de ser!

A Eucaristia é um dom demasiadamente grande, sim, e demasiado menosprezado.

Por Padre Rafael Ibarguren EP - Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://gaudiumpress.org/content/103914-Um-dom-demasiadamente-menosprezado. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

Deixe seu comentário
O seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados (*) são obrigatórios.



 
Loading
GaudiumRightPubli
Loading

No Angelus, Papa pede coerência: “Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão, de fato ...
 
Educado e coroado por santos, esposo de santa, pai de Santo Américo, governou como Santo, é Santo. ...
 
O evento chegou à sua 17ª edição, com o tema “Com Maria caminhamos na construção da Paz”. ...
 
Na longevidade do homem completo, poderá o corpo estar desgastado, mas a alma seguirá mais forte d ...
 
Devemos pensar nas grandes alegrias da Assunção, depois da qual Maria foi coroada Rainha do Céu e ...
 
Loading


O que estão twitando sobre o

Loading


 
 

Loading

Loading